fbpx
Fosfitos

Fosfitos: indução de resistência e outros benefícios

Fosfitos: o que são, os mecanismos de ação e como atuam ajudando a planta no controle de doenças.

Atualmente, um dos assuntos mais discutidos é o uso das mais variadas tecnologias para aumentar a produtividade das lavouras, o que tem sido chamada de agricultura 4.0.

Falamos de aplicação de taxa variável, mapeamento por drones e satélites e outras novidades, que vem sim, ajudando o produtor a conseguir maior produtividade.

Mas ainda temos muitas formas de ganhar produtividade e evitar perdas na produção apenas proporcionando meios às plantas de produzirem melhor ou se protegerem de patógenos e doenças.

É o que vamos discutir a seguir, o uso de fosfitos e como eles agem na planta para controle de doenças. Acompanhe!

O que são fosfitos?

Os fosfitos são provenientes da neutralização do ácido fosforoso H3PO3 por uma base (hidróxido de sódio, hidróxido de potássio ou hidróxido de amônio).

Dessa maneira, o fosfito (PO3-3) é uma forma reduzida de fosfato (PO3-4) em que o átomo de oxigênio (O) é substituído por um hidrogênio (H).

Enquanto no fosfato o P central está ligado diretamente apenas aos oxigênios, no fosfito existe uma ligação direta com um hidrogênio.

Essa substituição, faz com que a molécula de fosfito perca a estabilidade, afetando proeminentemente o comportamento deste composto em organismos vivos.

Traduzindo: isso faz com que nas plantas o fosfito seja rapidamente absorvido e translocado pelo xilema e posteriormente, pelo floema. Nos solos, ele tem a capacidade de reação menor com os componentes, fazendo com que esteja disponível para as plantas com mais facilidade.

Usos de fosfito na agricultura

O uso de fosfito na agricultura ainda é muito questionado e existem diversos estudos e publicações falando dos seus usos como fungicidas, herbicidas, fertilizantes e até bioestimulantes.

Vamos pontuar esses estudos, mas vale lembrar que você deve analisar e ponderar esses usos. O mais provado e aceito pela comunidade científica é o efeito fúngico que vamos discutir a seguir.

Fosfitos como indutores de resistência à fungos

Sabemos que existe grande oferta de indutores de resistência no mercado e aumentamos as opções quando falamos dos fosfitos.  

Dentre os fosfitos, existem diferentes formulações disponíveis de produtos, principalmente associados à outros nutrientes, como K, Ca, B, Zn e Mn.

Os fosfitos, além de causarem efeito direto sobre patógenos, atuam também na ativação do sistema de defesa natural das plantas, estimulando a formação de substâncias de autodefesa e assim controlando o ataque de patógenos. 

As respostas observadas nas plantas, pelo uso do do fosfito como indutor de resistência, estão relacionados ao metabolismo do açúcar, à estimulação da rota do ácido chiquímico e nas alterações hormonais e químicas nas plantas.

Mas há também o efeito direto do fosfito no metabolismo de fungos, principalmente pelo fosfito de potássio, relacionado a capacidade de inibir o crescimento micelial de alguns fungos.

Além disso, os fosfitos são capazes de inibir a esporulação de oomicetos, induzir a produção da enzima fenilalanina- amônia-liase (PAL), fitoalexinas e compostos, como a lignina e o etileno, no hospedeiro.

Contudo, o controle de doenças muito provavelmente não deve ter como único mecanismo a ação direta dos fosfitos. 

Esse mecanismo de controle é a combinação da ação entre os efeitos diretos dos fosfitos aos patógenos e indireto na ativação do sistema de defesa natural da planta.

Trabalhos de referência na indução de resistência por fosfitos

Como falamos anteriormente, os fosfitos como indutores de resistência é a forma mais estudada entre o tema, mas também é o assunto  mais controverso em termos de resultados.

Desse modo, listamos alguns trabalhos e o resumo de resultados dos seus autores, para que você possa ter conhecimento.

  • Pereira et al. (2010) verificaram que aplicações com fosfitos nas brotações das videiras resultaram em maior proteção das videiras contra o míldio (Plasmopara viticola), tanto nas folhas como nos cachos.
  • Pulverizações de fosfitos de potássio, magnésio ou cálcio reduziram a podridão-do-pé do mamoeiro, o qual o agente etiológico é oomiceto Phytophthora palmivora (DIANESE et al., 2009).
  • Peruch e Brunna (2008) observaram em seu trabalho reduções de 94% e 76% na AACPD e na incidência do míldio (Plasmopara viticola) no cacho, respectivamente, com doses de 0,3% de fosfito de potássio.
  • De acordo com Moreira e May-de Mio (2009), a aplicação do fosfito de K em pré- colheita reduziu em 26,5% a podridão-parda (Monilinia fructicola) em pessegueiro.
  • Araújo; Valdebenito-Sanhueza e Stadnik (2010) relataram diminuição de 62% na área foliar necrosada por Colletotrichum gloeosporioides com aplicações de fosfito de potássio na formulação 0-40-20, curativamente, às 48 horas após a inoculação em mudas de macieira.
  • Nojosa et al. (2009) verificaram reduções na severidade da mancha-de-phoma em cafeeiro (Phoma costarricensis) em plantas tratadas com fosfito 2,5 mL L-1 (60,06%) e fosfito 5,0 mL L-1 (63,18%), sendo esses percentuais superiores ao observado em plantas tratadas com fungicida.

Efeito herbicida do fosfito

Agora entramos em mais um assunto polêmico: o uso dos fosfitos como herbicidas de plantas invasoras. Muitos estudos já mostraram o efeito letal as plantas.

Segundo López‐Arredondo e Herrera‐Estrella (2012), descobriram que a Ipomoea purpurea, conhecida como corda-de-viola, foi incapaz de utilizar o fosfito como fonte de P, bem como não foi capaz de crescer em solo fertilizado com fosfito.

Descobriram também, que além da corda-de-viola outras duas espécies de plantas daninhas importantes como o capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) e o caruru (Amaranthus hybridus), poderia ser efetivamente controlado pela aplicação de fosfito, o que de outra forma seria mais difícil, já que essas plantas são de difícil controle por diversas razões.

Vale a pena destacar essa possibilidade, pois essa seria mais uma opção de controle, já que é comum o uso inadequado de herbicidas e, consequentemente, o surgimento de plantas resistentes. 

O diferencial é que o fosfito é estruturalmente análogo ao íon fosfato, essa propriedade do fosfito  permite que as plantas o absorvem através de transportadores de fosfato, tento ação em múltiplos locais

Portanto, o desenvolvimento de resistência mediada por mutação pontual de fosfito exigiria a substituição de aminoácidos em várias proteínas alvo dentro da célula. É difícil que esse fenômeno ocorra.

Análise da ação herbicida pós-emergente de fosfito (a, b). As figuras mostram a ação herbicida pós-emergente de Phi antes e após a aplicação foliar em plantas daninhas
Fonte: Jornal de biotecnologia vegetal 

Fosfito pode reduzir o uso de fertilizante fosfatados

O mesmo estudo de López‐Arredondo e Herrera‐Estrella (2012), citado no tópico anterior, descobriu que plantas transgênicas projetadas para expressar o gene PtxD de Pseudomonas stutzeri exigiam 30% a 50% menos entrada de P quando fertilizadas com fosfito.

No trabalho, foi verificado que as plantas obtiveram um nível de produtividade semelhante em comparação com plantas adubadas com os fertilizantes fosfatados. 

Esse estudo tem como objetivo que a redução da necessidade de fertilizantes à base de fosfito não reduza apenas o custo do cultivo, mas também sirva como uma estratégia importante para prolongar a reserva de P na terra. 

Influência de diferentes níveis de P (Pi) ou fosfito (Phi) no acúmulo de biomassa em mudas Convencionais e transgênicas
Fonte: Jornal de biotecnologia vegetal 

Mas vale lembrar, fosfito não é fertilizante!

O estudo de López‐Arredondo e Herrera‐Estrella ( 2012 ) foi o que constatou pela primeira vez que a superexpressão de fosfito desidrogenase (PtxD) em Arabidopsis e tabaco, levou à oxidação de fosfito para fosfato e assim permitindo a assimilação como fertilizante por plantas transgênicas.

Mas, como você pode ter notado, isso foi um caso excepcional e que ainda precisa de maiores investigações. Por isso, em geral, sabe-se que os fosfitos não podem substituir o fosfato no suprimento de fósforo às plantas, quanto a sua parte nutricional.

Por isso, os fosfitos não são aplicados como fonte de P e sim como um “ativador” de defesas das plantas. Os fosfatos são fontes exclusivas de P na nutrição de plantas.

Você já tinha visto algumas  informações sobre fosfitos? Ficou alguma dúvida? Escreva um comentário abaixo.

Elaboração do artigo: Especialista Agrotécnico pelo Emergir Agropecuário, engenheiro agrônomo e especialista em marketing no agronegócio.

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.