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Microbiologia do solo

Como a microbiologia do solo atua na produção agrícola

Microbiologia do solo: entenda mais sobre o tema, sua relação com a fertilidade do solo e compreenda como seu solo pode ser ainda mais produtivo.

A produção agrícola avança em busca de maior produtividade. Segundo a FAO, precisaremos de 1,7 vezes mais alimentos em 2050 devido ao crescimento populacional mundial.

Mas o uso de defensivos químicos, fertilizantes minerais, ou mesmo a extração de nutrientes tem impactado diretamente na degradação do solo e até na qualidade dos alimentos.

E o que a microbiologia do solo tem a ver com isso? Tudo!

O solo é um ambiente dinâmico e complexo, entender e aprofundar os conhecimentos na microbiologia presente no sistema, resulta em maior produtividade de forma sustentável, conservando o seu solo. 

Portanto, vamos entender nesse artigo como a microbiologia do solo pode funcionar a seu favor!

Afinal, o que é microbiologia do solo?

A microbiologia do solo, como o próprio nome diz, são microrganismos, que estão presentes nos solos. Ocupam menos de 1% do volume de massa total do solo.

Esse  microrganismos são encontrados principalmente nas camadas mais superficiais do solo, entre 10-30 cm de profundidade. No entanto, é possível encontrar nesta pequena fração, uma enorme biodiversidade

Nesse grupo de microrganismos, estão as bactérias, fungos,  arquéias,  algas, protozoários e microfauna. Podemos ainda incluir ainda os vírus, que desempenham papel importante no controle populacional, por serem parasitas intracelulares.

Mas saiba que eles têm papel fundamental na manutenção das propriedades do solo, principalmente para a atividade agrícola.

Processos biológicos no solo: suas inter-relações e funções no ecossistema
Fonte: Siqueira & Trannin, 2003

Esta biodiversidade é responsável por atividades importantes, pois atuam na formação do solo, incluindo atividades metabólicas, ciclagem e transporte de nutrientes, controle de patógenos, fluxo de energia, decomposição de xenobióticos no solo, entre outros aspectos que iremos discutir neste artigo.

Como a microbiologia do solo e a nutrição de plantas estão ligadas

Sabemos que os nutrientes como potássio, magnésio, cálcio, ferro, cloro, molibdênio e silicatos são estritamente necessários e estão ligados a fertilidade do solo.

Dessa maneira, podemos começar falando da relação entre microrganismos no solo e a fertilidade, com uma frase da engenheira agrônoma Ana Maria Primavesi, em que sabiamente explica:

“A fertilidade não é empregada para a quantidade de sais minerais no solo, mas sim, pela atividade microbiana do solo que torna os sais minerais disponíveis”

Comprovando essa afirmação vamos lembrar da FBN, que é o processo mais importante nas plantas depois da fotossíntese e esse processo não poderia acontecer sem a interação entre bactérias do solo e nutrientes, mais especificamente entre as Azotobacter e o molibdênio que atua na nitrogenase, por exemplo.

Esse princípio já é utilizado comercialmente na agricultura moderna através da inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio utilizadas no cultivo de algumas espécies de leguminosas e gramíneas.

Além disso, existem outras associações com  bactérias promotoras de crescimento de plantas,bem como recentemente a utilização da inoculação com fungos micorrízicos arbusculares. 

Fonte: Árvore, ser tecnológico

Microbiologia do solo e os macronutrientes de plantas

O potássio, tanto na forma orgânica como na de silicatos zeolíticos e não zeolíticos, existe em grandes quantidades na maioria dos solos. 

Esse elemento é responsável pelo inchamento do plasma, quer dizer, pela pressão intracelular e como catalisador, toma parte decisiva na sintetização de açúcar.

É aplicado no solo em forma de sais hidrossolúveis como sulfato, cloreto, carbonato e fosfato como estrume, e em forma de outros compostos orgânicos. 

Porém, é através da atividade microbiana que a disponibilidade deste nutriente nos solo aumenta consideravelmente e consequentemente a fertilidade.

Além disso o potássio não pode ser substituído por outro elemento na dieta microbiana, ele é deslocado no solo pelo cálcio e magnésio em contrapartida, desloca o sódio.

Ainda definidos pela Ana Maria Primavesi, a concentração do potássio disponível é, portanto, controlada por:

  • Concentração total do elemento
  • Forma em que se acha presente
  • Grau de saturação dos zeólitos (complexos troca-adsorção)
  • pH
  • Quantidade de humo existente
  • Atividade dos microrganismos no solo
  • Umidade do solo

Já o magnésio (Mg), é utilizado como nutriente para apenas 1% das bactérias presentes na microbiologia vegetal no solo, mas se faz necessário tanto para a formação de muitas outras substâncias. Além disso é um fator importante na carboxilase. 

Em alta concentração no solo, é bastante venenoso para os microrganismos devido à mobilização dos colóides celulares. Mas tem visto esse efeito neutralizado pela ação do cálcio nos solos.

Como falamos anteriormente, tem uma ação como antagonista de outros íons em excesso, preservando a atividade microbiana no solo, apesar de não ser necessário como nutriente microbiano.

Microbiologia do solo e os micronutrientes de plantas

Quando falamos do sódio (Na), temos que ter em mente que ele é normalmente pouco usado pelos microrganismos, sendo somente necessário para as bactérias halófilas, fluorescentes, que existem em terras salina. 

Muitas bactérias, especialmente as que podem formar esporos, são “halotolerantes”, quer dizer, toleram sal. O sódio não pode ser substituído na vida das bactérias halófilas.

Já o Cl (cloro), é somente importante em sua ligação ao sódio, como NaCl.

Mn (manganês) é também catalisador e pode substituir algumas qualidades do ferro no sistema das enzimas respiratórias, enquanto que Mo e B (molibdênio e boro) são necessários para as bactérias simbiontes que fixam N

Microbiologia do solo na degradação de agroquímicos

A degradação das moléculas de agroquímicos pode ser definida pela transformação dessas moléculas em compostos não tóxicos, diminuindo sua concentração, permanência e persistência solo. 

Essa degradação pode acontecer de maneira química e/ou biológica. A forma biológica é que vamos discutir, feita pela microbiologia do solo. 

Essa biorremediação é de extrema importância para os solos e recursos hídricos e não ocorra fitotoxidez ou mesmo resistência às moléculas dos agroquímicos.

Essa capacidade de degradação dos microrganismos, é resultado das reações de catabolismo ou co-metabolismo, utilizando o C, N ou P presentes nessas moléculas dos agroquímicos, como fonte de nutrientes.

Conclusão

Quando temos um solo com alta diversidade microbiana, promovemos uma maior diversidade metabólica, aumentamos a capacidade de resiliência e como consequência, consequentemente, temos um solo fértil, rico em nutrientes e de boa qualidade.

Entretanto, quanto menor a diversidade microbiana em nossos solos, menor será a qualidade físico-química e menor a sua capacidade de degradação de moléculas tóxicas, tornando-se frágil e suscetível à baixa produção e além do aumento da incidência de pragas e doenças. 

Práticas adequadas de produção e manejo do solo, como por exemplo rotação de culturas, plantio direto e sistemas mais sustentáveis, são estímulos à diversidade e abundância da microbiologia do solo.

Você sabia de todas esses aspectos sobre microbiologia do solo? Ficou alguma dúvida? Conte para nós.

Elaboração do artigo: Especialista Agrotécnico pelo Emergir Agropecuário, engenheiro agrônomo e especialista em marketing no agronegócio.

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