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ÁCIDO SALICÍLICO

Existem compostos orgânicos que funcionam como indutores de resistência e são chamados de reguladores vegetais. As plantas produzem uma ampla variedade de hormônios e outros compostos que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento vegetal, dentre eles se destaca ácido salicílico (AS). Conhecido como indutor do metabolismo secundário das plantas, sua atuação como indutor de resistência está relacionado á capacidade de detectar os efeitos de estresse e injúrias nos processos fotossintéticos causados por fatores bióticos ou abióticos. O AS pode agir de modo isolado, associado ou controlar os efeitos de outros hormônios.

O ácido salicílico é um produto natural que age como sinalizador nas plantas, principalmente na defesa contra patógenos e o acúmulo desse composto nos tecidos das plantas induz a resistência sistêmica adquirida(SAR), uma forma de resistência induzida. A indução a resistência em diferentes estresses bióticos e abióticos podem se comportar diferente nas plantas pois estão ligadas a diversos fatores, como espécie, estágio de desenvolvimento, modo de aplicação, concentração utilizada, nível endógeno, entre outros. Seu transporte é realizado via floema para as partes não infectadas da planta, especialmente na forma de metil salicilato.

Um dos fatores que conferem a resistência é devido ao AS ser responsável pelo acúmulo de superóxido e peróxido de hidrogênio no apoplasto, que acarretam a morte de células no local da infecção e também promovem no local do ataque a síntese de lignina na parede celular, dificultando a penetração de estiletes e a mastigação pelos insetos em decorrência do enrijecimento da parede das células vegetais. Sabendo-se desse mecanismo de funcionamento, a aplicação exógena de AS em diferentes cultivos agrícolas tem caráter investigativo sobre a capacidade deste em atenuar os efeitos adversos causados pela deficiência hídrica. 

O AS atua na resposta das plantas após ataque de pragas, alterando a atividade e aumentando a expressão de genes de defesa do vegetal, potencializando sua resposta (PONSTEIN et. al., 1994). Estudos realizados por SILVA et al. (2005), demonstram que as pragas podem ter dificuldades de ovopositar sob células silicificadas, dessa forma, diminuindo a herbivoria das fases imaturas desses artrópodes.

Atuam também em outros processos de desenvolvimento da planta, provocando efeitos fisiológicos e bioquímicos, incluindo a indução da floração, a produção de calor (termogênese), a fotossíntese, a condutância estomática, a transpiração, a absorção e o transporte de íons (inibição de fosfato e captação de potássio), a germinação de sementes, a inibição da biossíntese / ação do etileno e a resistência a doenças. 

Agrotécnico – Sugestão esquematizada de ação do Ácido Salicílico

Naturalmente, o aumento da concentração de AS em plantas cultivadas ocorre em resposta a estresse causado por patógenos, pragas e estresse abiótico. Quando em altas concentrações o AS prove aumento da termogênese e fluorescência, reduzindo a disponibilidade para a fotossíntese, diminuindo assim a quantidade de trioses P para a própria manutenção (respiração) e para ativação de rotas metabólicas secundárias, em especial a defesa, por meio da redução da fitoalexinas (STANGARLIN et al., 1999; 2008). 

O uso do ácido salicílico na agricultura concebe uma tecnologia ambientalmente correta, sustentável, com amplo potencial para diminuir a frequência e o uso de agrotóxicos. 

Em estudos realizados por Habibi (2012) recomenda-se a quantidade de 500 μM de ácido salicílico para aumentar o conteúdo relativo de água, a taxa fotossintética, transpiração e condutância estomática em plantas de cevada (Hordeum vulgare L.). Isto significa dizer que o uso de AS em concentrações adequadas aumenta a capacidade fotossintética da cultura e que a resposta da planta a este hormônio depende das condições ambientais, cultivar, época de aplicação dose e forma de uso (NIVEDITHADEVI et al., 2012). 

HABIBI, G. Exogenous salicylic acid alleviates oxidative damage of barley plants under drought stress. Acta Biologica Szegediensis, v. 56, n. 1, p. 57-63, 2012. 

NIVEDITHADEVI, D.; SOMASUNDARAM, R.; PANNERSELVAM, R. Effect of abscisic acid, paclobutrazol and salicylic acid on the growth and pigment variation in Solanum Trilobatum. International Journal of Drug Development e Research, n. 3, v. 4, p. 236-246, 2012. 

PONSTEIN, A.S.; BRES-VLOEMANS, S.A.; SELA-BUURIAGE, M.B.; VAN DEN ELZEN, P.J.M.; MELCHERS, L.S.; COMELISSEN, B.J.C. A novel pathogen- and wound-inducible tobacco (Nicotiana tabacum) protein with antifungal activity. Plant Physiology, n. 104, p. 109-118, 1994. 

SILVA, L. M.; ALQUINI, Y.; CAVALLET, V. J. Inter-relações entre a anatomia vegetal e a produção vegetal. Acta Botanica Brasilica, v. 19, p. 183-194, 2005. 

STANGARLIN, J. R.; SCHULZ, D. G.; FRANZENER, G.; ASSI, L. SCHWANESTRADA, K. R. F.; KUHN, O. J. Indução de fitoalexinas em soja e sorgo por preparações de Saccharomyces boulardii. Arquivos do Instituto Biológico, v.77, n.1, p.91-98, 2010. 

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