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Magnésio nas plantas: relação Ca/Mg, doses recomendadas e mais!

Magnésio nas plantas: tudo sobre sua disponibilidade no solo, forma de absorção, relação Ca/Mg e como identificar a deficiência nas plantas!

A necessidade da alta produtividade já é realidade na agricultura moderna e nós já estamos acostumados a ouvir isso.

Seja você, produtor, técnico de campo ou mesmo um agrônomo recém-formado precisa ter isso em mente e estar preparado para melhorar a produção agrícola.

Já sabemos também que um só nutriente em menor quantidade pode ser o limitante da produção, especialmente o magnésio.

Por isso, vamos entender melhor a função do magnésio nas plantas, fatores de deficiência e a relação com outros elementos.

Aliás, você lembra da relação Ca/Mg? Lembra de quais processos o magnésio está envolvido nas plantas? E os sintomas de deficiência? 

Se pelo menos uma dessas respostas foi “não”, você precisa ler este artigo!

Afinal, como atua o magnésio nas plantas?

Como já sabemos, o magnésio é um nutriente macronutriente essencial à planta, como o potássio e fósforo que você pode saber mais nos artigos destacados.

Ele possui uma ampla atuação, principalmente em funções-chave da planta. Um dos papéis bem conhecidos do magnésio está no processo de fotossíntese, pois é um componente da clorofila.

Sem magnésio nas plantas, a clorofila não pode capturar a energia solar necessária para a fotossíntese. 

O magnésio nas plantas também está localizado nas enzimas,sendo utilizado no metabolismo dos carboidratos e na estabilização da membrana celular.

É um elemento muito móvel e por isso tem função essencial para o crescimento e desenvolvimento das plantas. 

Disponibilidade e absorção de magnésio

A produção agrícola de alta produtividade necessita de uma maior conhecimento dos elementos nutricionais, por isso precisamos entender o processo de disponibilidade e absorção.

Sua disponibilidade no solo depende de vários fatores, como o material da rocha na formação do solo, o grau de intemperismo, o clima e o sistema de produção agrícola.

Portanto, as práticas de manejo, como tipo de cultura, intensidade e rotação de culturas e práticas de fertilização e correção do pH são fatores que interferem na quantidade de Mg no solo. 

Desse modo, a quantidade de magnésio pode variar muito. Porém, em solos tropicais, a maioria no Brasil, e arenosos, esperamos baixas quantidades de Mg. Solos salinos e com alto teor de argila tendem a ter maiores quantidades de magnésio.

Captação de magnésio pelas plantas

As plantas absorvem magnésio em sua forma iônica Mg+2 , que é a forma de magnésio dissolvido na solução do solo.

A absorção de magnésio pelas plantas é dominada por dois processos principais:

  • Captação passiva, impulsionada pelo fluxo de transpiração.
  • Difusão – os íons de magnésio passam de zonas de alta concentração para zonas de menor concentração.

Portanto, as quantidades de magnésio que a planta pode absorver dependem de sua concentração na solução do solo e da capacidade do solo de reabastecer a solução do solo com magnésio.

Efeito do pH do solo na disponibilidade de magnésio nas plantas

Como vimos anteriormente, a disponibilidade de magnésio nas plantas sofre efeito de alguns fatores, como o solo. 

Solos com pH baixo, aumentam a tendência do magnésio à lixiviação, pois possuem menos cargas ​​(CTC inferior).

Além disso, elementos como manganês e alumínio tornam-se mais solúveis e resultam em menor captação de magnésio.

Outros íons com carga positiva, como potássio e amônio, também podem competir com o magnésio e reduzir sua captação e translocação das raízes para as partes superiores da planta. 

Portanto, aplicações excessivas desses nutrientes podem levar à deficiência de magnésio

Cuidados devem ser tomados especialmente em solos arenosos, pois seu CTC é baixo e eles podem conter naturalmente menos magnésio, como já comentamos.

Fonte Agromaq
Fonte: Agromag

Você tem analisado a relação do Mg com outras bases?

A disponibilidade do magnésio como nutriente é tão importante quanto seu equilíbrio com as bases K e Ca e também com seus antagonistas.

O método de Albrecht tem mostrado que deixar de analisar as porcentagens individuais de bases da CTC, é um dos grandes gargalos para a agricultura de alto rendimento e alta produtividade.

Pode parecer estranho para alguns, mas ainda estamos fazendo nossas recomendações pela média produtividade de muitos anos atrás.

Este com certeza é um dos assuntos discutidos por todos os agentes envolvidos no nosso sistema agroprodutivo, de técnicos à produtores, que muitas vezes acabam sendo a mesma pessoa.

Ainda fazemos a recomendação de calagem, visando apenas o aumento do V%, como sendo um número mágico, que colocando na fórmula de NC, já teremos tudo resolvido (se ainda tem dúvida no cálculo de calagem, confira este artigo).

Mas quando desconsideramos a relação Ca/Mg, podemos ter uma dor de cabeça muito maior que fazer não fazer calagem nenhuma.

Cada base tem um nível de saturação específico, uma  faixa ideal para entregar um melhor equilíbrio e por consequência maior rendimento produtivo.

Nessa análises de bases, o maior descaso tem sido com o magnésio. Mesmo em níveis altos, o Mg está sendo aplicado indiretamente com o uso de calcários (magnesiano e dolomítico, principalmente) com níveis do nutriente acima dos ideais para as áreas. 

Esse problema é bem recorrente em Rondônia e se expande ao longo Mato Grosso e outras regiões produtoras

Áreas onde já se encontra a saturação por bases pelo Mg, em níveis por volta de 15 – 17% e acreditem se quiserem, com 23%, é recomendado calcário dolomítico ainda.

Qual o valor ideal de magnésio no solo?

Com base nos numerosos estudos, a saturação por Mg tem que ficar em torno de 15 a 20%, para a maioria das culturas agrícolas terem maior produtividade e o solo responder com maior disponibilidade, sem antagonismos com Ca e K (sim,  o Potássio ).

Recomendação da dose de magnésio

Para chegar a essa faixa adequada de valor de Mg no solo, recomendamos o uso a seguinte equação: 

MgO = 0,15 *( T-Mg)*400

Onde,

0,15 é o 15% de saturação adequada

T é a CTC em cmolc/dm3 

Mg em cmolc/dm3

400 é o fator de correção de MgO (levando em conta seus devidos pesos moleculares e valências, para incorporação a 20 cm de solo em 1 ha)

O resultado sai em kg de MgO por ha.

Dessa forma é possível manter a saturação adequada para o Mg , verificar se a relação com Ca se mantém entre 3-5/1, sem esquecer o quanto a CTC é capaz de suportar.

Deficiências de magnésio nas plantas

Não é preciso falar que a deficiência de magnésio, como qualquer outra deficiência, leva à redução no rendimento e também uma maior suscetibilidade a doenças de plantas. 

Quando os sintomas aparecerem, já é tarde demais e teremos uma redução na produtividade. Portanto, voltamos a lembrar que a análise química do solo e o fornecimento adequado de nutrientes é essencial.

Como o magnésio é móvel dentro da planta, os sintomas de deficiência aparecem primeiro nas folhas mais baixas e mais velhas. 

Os primeiros sintomas perceptíveis são as folhas pálidas, que desenvolvem uma clorose intervenal. Em algumas plantas, manchas avermelhadas e/ou roxas aparecerão nas folhas. 

Deficiência por magnésio nas plantas de café
Deficiência por magnésio nas plantas de café
Fonte : Procafé

A deficiência de magnésio nas plantas é comum em solos com baixa quantidade de matéria orgânica. Chuvas fortes podem causar uma deficiência pela lixiviação de magnésio, principalmente em solos arenosos ou ácidos. 

Além disso, como falamos na relação com as bases,  solos com  grandes quantidades de potássio, levam as plantas podem absorver menos  magnésio, levando a uma deficiência. 

Conclusão

Quando analisamos a ação do magnésio nas plantas e individualmente a saturação de bases deste e outros elementos, temos como resultado a melhor eficiência da correção e adubação.

A agricultura pela média deve deixar ou já deixou seu lugar para a agricultura moderna, agricultura de precisão. 

Para ter altas produtividades deve-se fazer agricultura com recomendações precisas e eficientes, garantindo mais economia e melhores resultados. 

E quando estamos falando em agricultura de precisão, não estamos falando em gastos enormes com máquinas e mapas de precisão, falamos em fazer o que é adequado, colocando a teoria em prática.

O dever de casa ainda é a melhor solução.

Você já tinha analisado a saturação de bases por Mg? Ficou alguma dúvida? Escreva um comentário abaixo.

Elaboração do artigo: Redator Emergir Agropecuário, engenheiro agrônomo e especialista em marketing no agronegócio.

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