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Nutrição de plantas

Nutrição de plantas para soja de alta produtividade

Nutrição de plantas: vamos descomplicar esse assunto e mostrar quais fatores influenciam na alta produtividade da lavoura

A obtenção de altas produtividades, com rentabilidade, é o que todos nós buscamos diariamente na produção das culturas agrícolas. 

Existem 52 fatores que interferem na planta e influenciam na produtividade (Tisdale et al, 1985). 

E a nutrição é, sem dúvida, um dos principais deles, especialmente porque neste quesito podemos modificar mais facilmente, diferente das condições climáticas. 

Por isso, devemos nos atentar ao fatores nutricionais, proporcionando uma nutrição equilibrada e ajustada às culturas. 

Se você acredita que o crescimento vegetativo e nutrição de plantas é um assunto complicado, saiba que isso pode ser simples! Vamos lá?

4 elementos para a nutrição de plantas

Para alcançar altos níveis de produção, devemos levar em consideração a quantidade de nutrientes absorvidos pela cultura e o correto uso destas informações.

Além disso, a interação da nutrição de plantas e o ambiente, seja na captação de luz, água e dióxido de carbono (CO2), são fatores importantes quando se quer obter alta produtividade.

Nutrição de plantas 
Fonte: Huntington Ed
Fonte: Huntington Ed

Água

A água é elemento essencial, promove efeitos diretos e indiretos na nutrição de plantas.

Este elemento compõe por volta de 90% do peso das plantas e diretamente está em todos os processos químicos e bioquímicos. 

Algumas funções da água na planta

  • Manutenção da turgescência
  • Reagente: hidrólise e fotossíntese
  • Solvente
  • Meio de transporte
  • Movimento das plantas
  • Balanço energético, etc.

Não é a toa que agricultores sempre que possível investem em equipamentos e tecnologias para a irrigação. Além de fornecer esse elemento em condições ideais, permite o cultivo em estações pouco chuvosas.

Nutrientes

Como sabemos, existem dois grupos principais de nutrientes: os macronutrientes e os micronutrientes.

Os macro são o nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre, ou seja, aqueles que as plantas exigem em grandes quantidades.

Os micronutrientes (boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio, níquel e zinco), embora exigidos em menores quantidades, são tão relevantes quanto os demais. 

Além disso, outros elementos, como cobalto, selênio, silício e sódio, são considerados nutrientes benéficos. Não são essenciais, mas as plantas se beneficiam quando encontram esses nutrientes disponíveis em valores adequados.

Por exemplo, na composição de grãos de soja, 6% são de nitrogênio (N) e 5% da soma de todos os elementos (cálcio, magnésio, etc). O restante (89%) é composto por carbono, oxigênio e hidrogênio, os quais são provenientes da fotossíntese.

É desse jeito que você percebemos a importância do nitrogênio na soja! E, consequentemente, a importância da nodulação dos fixadores de nitrogênio, já que são esses microorganismos que fornecem o N para a cultura de soja.

Anteriormente já falamos de outros nutrientes e sua importância para nutrição de plantas, se você ainda não leu esses artigos, aqui estão os links:

Fonte: Blog Plantei

Luz

A luz é também um dos fatores essenciais para as plantas, está ligada diretamente com a fotossíntese e assim, toda a cadeia que vem depois da produção de energia.

No processo fotossintético a luz é absorvida na fase clara pela clorofila que está no que chamamos de antenas nos cloroplastos.

Deste modo, sabemos que a planta não sobrevive sem a presença da luz. Além disso, esse elemento tem influência nos processos germinativos,no florescimento e assim na produtividade.

Conseguimos ver isso, na soja, que é cultura de fotoperíodo curto, portanto floresce quando os dias são mais curtos que a noite, ou seja, ela só irá florescer quando o fotoperíodo do dia for menor que o seu fotoperíodo crítico.

Dióxido de Carbono

Elemento também presente na fotossíntese, tem como função principal produzir moléculas orgânicas (estruturas que contêm o carbono como elemento principal). 

Um exemplo bem conhecido de molécula orgânica produzida, é a glicose (C6H12O6), que dá início através de outras transformações, a produção de celulose, proteínas, aminoácidos e outros constituintes dos vegetais.

 Nutrição de plantas e a produção de grãos

Os nutrientes têm efeitos muito importantes nas plantas para mantê-la produtiva e saudável. 

As folhas são responsáveis por enviar nutrientes para os grãos. Por exemplo, na soja há uma relação de distribuição entre vagens, grãos e folhas.

Para alta produção tem sido recomendado a distribuição na planta de 3 vagens com 3 grãos cada para cada folha sadia. Isso permite que a folha consiga suprir as necessidades para terminar de encher esses grãos.

Portanto, a fase de enchimento de grãos é muito importante. Podemos ter plantas com mesmo número de grãos, mas uma pode ter mais peso de grãos devido ao enchimento realizado de forma adequada. 

Diante disso, precisamos de folhas sadias e bem nutridas até a fase R6 do estádio fenológico para a soja conseguir completar seu ciclo e encher os grãos.

E para que tudo isso seja possível, a planta precisa de muita raiz. Para se extrair água e nitrogênio (N) é preciso 1 cm de raiz por cm3 de solo, enquanto que para fósforo é preciso de 5 cm de raíz por cm3 de solo. 

Auster Tecnologia , 2019

Superando os desafios da nutrição de plantas

Além da preocupação com o fornecimento adequado de nutrientes, temos dois grandes desafios: reduzir o trânsito de máquinas para não compactar o solo e melhorar estrutura do solo.

A superação desses desafios é obtida com um bom planejamento agrícola, o que permite o uso consciente das aplicações de defensivos agrícolas, com rotas mais eficientes dentro da lavoura e que assim reduza o trânsito de maquinários, fazendo com que a estrutura de poros do solo não seja destruída.

Os macroporos permitem com que o solo drene a água quando chove demais e os microporos retém a água, podendo inclusive conter água em períodos de estiagem. Os dois tipos de poros, mas principalmente os microporos,  fornecem nutrientes para as plantas.

A adubação verde também é essencial para criar estrutura de solo com micro e macroporos. Aliado com rotação de culturas e bem manejado, esse sistema pode sim ser rentável.

Fonte: Quora
Fonte: Quora

A integração lavoura-pecuária (ILP) é outra ótima forma de melhorar a estrutura do solo e produtividade. Sabemos que após cortar o pasto essas plantas precisam criar mais raízes para continuar se desenvolvendo, e é isso que melhora a estrutura. 

Também é preciso ajustar a taxa de lotação das pastagens,  para que o gado se alimente melhor e não precise caminhar tanto nos mesmos locais, não compactando o solo. 

Adubar o pasto é outro fator importante da integração, permitindo produzir mais palha e raiz.

Nutrição de plantas e densidade populacional

A distribuição de plantas por m2 também define a produtividade e, mais importante, a rentabilidade. 

Cada semente plantada resulta em um custo médio de R$ 11,20 por hectare, isso levando em conta toda tecnologia embarcada na semente, além do tratamento de sementes.

Desse modo, fica claro que não há mais espaço para uma cultura sem planejamento e com sementes abaixo de 95% de germinação.

Sem dúvida é necessário qualidade de semeadura, o espaçamento tem interferência direta na interceptação de radiação solar e de ocupação de espaço para extrair água e nutrientes.

Voltando ao exemplo da soja para demonstrar essa importância: cada planta de soja produz em média 18 g de grãos. Isso resulta em 180 kg por linha em 1 hectare (3 sacas de soja). Assim, se falhar duas plantas por linha já perdemos 6 sacas de soja por hectare.

Não se esqueça que a falha de plantas na linha também pode ocorrer pela falta de proteção de plantas, já que insetos também exterminam as plântulas, como o ataque da lagarta-elasmo. Por isso, o manejo adequado de pragas, plantas daninhas e doenças é essencial para proteger a produtividade.

Ficou alguma dúvida sobre nutrição de plantas? Quer mais informações sobre algum tema específico? Conte para nós!

Agrotécnico, por redator Emergir, engenheiro Agrônomo pela Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) e especialista em produção de conteúdo técnico para agro.

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